quinta-feira, 2 de junho de 2016

Tudo parece impossível até que seja feito.

No imaginário popular brasileiro, costuma-se avaliar que a sucessão de fatos imponderáveis ou situações negativas, convergem para a não concretização de metas e sonhos - em regra, quando tudo dá errado, surge a seguinte justificativa: "não era para acontecer".

E nas terras de Nelson Mandela, esta máxima também é válida?

"It always seems impossible until it's done."

Nelson Mandela

Aqui surge a fundamentação desta resenha, construída pelo amigo Marcelo Alves, que nos impulsiona a acreditar que não, que a frase acima, além de perpetuar-se ao longo do tempo, possui abissal profundidade: "tudo parece impossível até que seja feito".

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No último domingo, 29 de maio de 2016, 85 (oitenta e cinco) brasileiros(as) concluíram a tão sonhada e desejada Rainha das Ultras e no meio desses abnegados corredores, meu nome - Marcelo Alves - estava lá.

Quer saber como isto aconteceu? - então acompanhe!!!

Em 2005, em uma das minhas primeiras participações em corrida de rua, recebi dentro do kit de corrida, uma revista que detalhava a participação de brasileiros(as) na Comrades Marathon.

Aquela leitura foi instigante a ponto de não mais esquecer seus detalhes: ultra maratona com 89 km, realizada no meio do ano na África do Sul, entre as cidades de Pietermaritzburg e Durbam, alternando-se os locais de largada e chegada, ampla participação popular.

O tempo passou é há pouco mais de um ano, em tom de brincadeira, postei no WhatsApp, que iria participar da Comrades em 2016. Ocorre que aquele grupo era (e ainda é) constituído exclusivamente por amigos que correm e pedalam, dentre os quais, estava Dionísio Silvestre, que costuma redigir e publicar resenhas sobre experiências de corridas (dele e dos amigos) no Blog "Correr é Pura Paixão".

O fato é que o amigo levou o assunto a sério e decidiu publicar tal insanidade, de tal sorte que me vi imediatamente obrigado a enfrentar o desafio. Sem muita demora recorri ao mesmo amigo, para as orientações na preparação, uma vez considerado sua formação acadêmica e a experiência adquirida nas suas participações na Comrades Marathon.

Na estratégia inicial, o primeiro obstáculo: - obter o índice mínimo para participar da prova, qual seja: completar os 42 km da maratona abaixo de 5 horas. Neste aspecto, escolhi a maratona de Curitiba, que possui excelente altimetria. No dia da corrida, embora tenha sofrido dores intensas nas costas, completei a maratona e obtive o "qualifying".

Dali em diante, no decorrer do extenuante treinamento, surgiram muitas incertezas, dores quase insuperáveis, cansaço físico e mental; obviamente, a sensação do insucesso me assombrava. Confesso que a vontade de abrir mão da prova me passou pela cabeça.

Os treinos seguiam fortes e as distâncias foram sendo superadas: 32 km - 40 km - 50 km. 

Foi quando me dei conta que o corpo estava sólido e pronto para o bom combate.

Os dias do mês de maio passaram-se numa velocidade supersônica. Em uma quarta-feira, 25 de maio de 2016, embarquei para a África do Sul, juntamente com outros amigos de Brasília: Bonfim, Sérgio, Margareth e Silvestre.

Na Expo Bonitas Comrades, ao respirar a atmosfera da prova, começo a perceber que o engajamento da população é extraordinário e que a quantidade de estrangeiros é significativa.

Embora tenha tentado manter postura tranquila, tudo era novidade. A ansiedade e o nervosismo insistiam em bater à porta. Nos três dias que antecederam a corrida, encontro com inúmeros brasileiros e neste momento, ouço suas histórias de como ali chegaram.

Na véspera da prova, para fazer frente à ansiedade, faço um trote com o amigo Silvestre, conversamos sobre alguns pontos essenciais para o sucesso da missão: ritmo, frequência cardíaca, hidratação e suplementação.
...aquecendo as turbinas em Durbam - 28.05.2016
Na madrugada de domingo nosso pequeno grupo - Bonfim, Ana, Margareth, Silvestre, Sérgio e Marcelo - segue de ônibus para a largada em Pietermaritzburg, neste momento, sigo calado, pois estou ansioso e emocionado.

Nos dispersamos antes da largada, uma vez que cada um segue para o seu portão (C, D, E e F), naquele instante, fico sozinho, absorto e envolto em lembranças, pensamentos, alegria e ansiedade. Faço uma prece agradecendo a Deus por ali estar, agradeço aos amigos e especialmente minha querida esposa Viviane, que nos momentos bons e ruins, esteve sempre ao meu lado.

Durante o cerimonial que antecede a largada é tocado o hino da África do Sul e a seguir todos os participantes cantam a música "Shosholoza". Neste instante, não consigo conter as lágrimas, que rolam em meu rosto sem o menor pudor.

Surpreso, quando olho para os lados, percebo que não sou o único e que outras pessoas - homens e mulheres - também choram. A seguir, o canto do galo e o tiro de canhão determinando o início da 91ª Comrades Marathon.

Sem sombra de dúvidas, começava a corrida mais importante da minha vida, na minha mente só havia uma imagem: a linha de chegada em Durbam. No decorrer daquela longa jornada, busquei manter ritmo confortável, hidratando-me constantemente.
... só havia uma imagem: a linha de chegada em Durbam.
Ao longo do trajeto, a população permaneceu incentivando e apoiando os atletas, levaram comidas e bebidas, sempre com muita alegria. Aquelas cenas me impressionaram e não me saem da memória, tamanha a participação da população.

Quanto à minha corrida, seguia dentro da meta imaginada: corria quando podia e nas subidas, que eram muitas, alternava trote e caminhada. Em razão do esforço sobre humano, parei para receber massagens na musculatura das pernas.

No que tange à camaradagem entre os corredores, por vezes, ao caminhar, era indagado pelos participantes se tudo estava bem, em resumo, não havia uma competição e sim, camaradas correndo lado a lado, literalmente.

Faltando 8 km para o término da corrida, já não conseguia conter a alegria, entretanto, sabia que em provas longas o imponderável pode acontecer.

Firme no meu objetivo, continuava sem olhar para trás. Naquele momento, absolutamente nada me permitia dar um passo atrás.

Ao chegar nas imediações do Sahara Stadium Kingsmead, o sorriso era visível em meu rosto, entro no estádio, lotado, todos comemorando a chegada dos corredores, cruzo o tapete da linha de chegada, ajoelho, levanto os braços para o céu e agradeço a Deus, por ter me permitido concluir a Comrades, não consigo chorar, mas estou em êxtase, confiro meu tempo: 10 horas e 58 minutos.

Coloco a medalha no peito, fico contemplando-a por alguns instantes, sigo ao encontro dos amigos e o primeiro a me encontrar é o amigo Silvestre, imediatamente, rendo minhas homenagens ao mentor que, com extrema sabedoria e paciência, me conduziu no decorrer daquele ano de treinamento.

Se retornarei ano que vem para o back to back? - o futuro dirá!!!

Forte abraço!!!


Marcelo Alves

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Brasileiras(os) Finishers - 91ª Comrades Marathon

Neste último domingo, 29 de maio de 2016, 84 (oitenta e quatro) Brasileiras(os) concluíram o percurso "down run" na 91ª Comrades Marathon. Confiram a classificação e o tempo dos amigos!!!
Número Nome Tempo Ger. Cat.
20452 Farnese Da Silva 06:41:53 111 28
26007 Mateus Gomez Sacchett 06:43:45 129 90
29906 Niumar Velho 07:01:44 250 170
19397 Leandro Carvalho 07:50:08 846 534
25536 Glaucio Monte Mor E Silva 07:54:27 919 573
33662 Jaques Bortolini 08:10:13 1166 389
14719 Eduardo Castanheira 08:20:31 1354 462
32551 Gustavo Petrilli 08:30:33 1607 953
24314 Israel Neto 08:41:07 1857 652
30863 Amaro Cajueiro 08:44:07 1946 1096
20545 Emerson De Oliveira Rocha 08:45:57 1997 711
25573 Frank Magalhaes De Pinho 08:46:39 2025 723
58821 Carlos Arraiz 08:48:01 2125 766
52574 Dionisio Silvestre 08:51:31 2252 186
36572 Nilo Saraiva 08:52:02 2267 1243
50388 Nilson Paulo De Lima 08:54:59 2421 17
35156 Cordeiro Santos 08:55:05 2434 1316
28230 Rosana De Fatima Silveira Almeida 09:09:06 256 95
12910 Flavio Ensiki 09:23:01 3146 1644
40633 Paulo Ortega 09:23:25 3157 1186
48418 Nato Amaral 09:30:11 3383 1271
23199 Ricardo Silva 09:30:11 3384 1762
20711 Pedro Bonfim 09:30:11 3385 1272
58822 Jose Cerqueira Da Silva 09:30:11 3386 319
14815 Rodrigo Kalinowski 09:37:15 3611 1852
34709 Ricardo Tavolari 09:46:25 3939 1515
13069 Gilmar Signori 09:49:48 4077 425
32384 Lisandro Pavan 09:49:48 4078 1572
23205 Silvia Souza Araujo 09:50:34 535 210
33121 Carlos Cziulik 09:52:55 4232 452
13029 Daniela Signori 09:53:13 565 227
43636 Zilma Rodrigues Da Silva 09:56:29 603 245
33659 Dalila Dos Santos Priester 10:09:15 703 65
24090 Sergio Carvalho 10:11:36 4913 1914
24162 Paulo Sousa 10:12:23 4936 1926
35104 Renata Nickel Mariani 10:14:15 737 363
35655 Simoni Pinto De Oliveira Moura 10:21:56 827 331
26751 Rodrigo Silva 10:21:58 5364 2518
28705 Saymon Rocha De Oliveira 10:23:22 5431 2540
35840 Liduina Vieira 10:28:13 924 374
36953 Elaine Jorge 10:35:42 1028 504
23102 Felipe Bastos Fortes 10:36:55 6068 2799
18967 Marcos Roberto Ramos 10:38:47 6186 2404
10769 Rodrigo Andrade 10:38:55 6190 2849
32575 Marcos Queiroz 10:45:42 6561 906
33524 Alvaro Santos Junior 10:47:45 6749 944
21643 Paola Geber 10:49:54 1322 533
43056 Dirceu Tirado 10:52:44 7202 1022
24868 Américo Gabriel Salles 10:53:23 7224 2781
36483 Jose Arnaldo Masson 10:54:42 7380 144
30050 Ana Marcia Gomes 10:54:48 1447 587
26316 Bruno Curi 10:55:11 7439 3367
19413 Marcos Scharnberg Neto 10:56:45 7551 148
43290 Dirceu Busmayer 10:57:24 7603 1101
10322 Marcelo Alves Pereira 10:58:28 7692 3470
23436 Christiano Bulka 10:58:31 7694 2954
35442 Maria Cecilia Dresch Da Silveira 11:02:40 1571 634
24740 Fernando Dantas 11:04:38 7844 3518
14399 Marcello Lauer 11:07:34 7918 3038
33657 Pedro Antonio Diniz Soares 11:13:51 8157 1231
26133 Marcio Matunaga 11:19:31 8391 3218
10343 Luis Mansor 11:19:41 8395 3219
19848 Ilza Maria Machado 11:22:10 1858 847
37031 Cesar Moro 11:25:27 8681 3324
30710 Thiago Figueira 11:25:49 8706 3802
28984 Anderson Ricardo Coelho 11:25:49 8707 3803
24147 Bruno Roberto Braga Azevedo 11:29:02 8927 3895
43111 Mauri Pereira 11:29:03 8929 1402
21843 Maria Eliane Bezerra Da Silva 11:39:16 2237 926
12200 Aline Carvalho 11:40:31 2272 1024
39431 Margaret Cullura 11:43:22 2355 965
37491 Eustaquio Jose Pedro 11:47:15 10052 267
18978 Eduardo Neves 11:47:15 10053 3844
13881 Manoel Nascimento Lima 11:47:15 10054 3845
11905 Eder Magalhaes 11:47:23 10067 3848
21646 Mauro Geber 11:47:23 10068 3849
33846 Marcelo Figueiredo 11:48:08 10159 3872
11214 Carlos Castro 11:48:30 10213 3890
31933 Sergio Venson 11:48:59 10254 1674
33661 Manair Ceres Das Dores Vasquez 11:49:06 2568 309
33718 Greice Lopes Rodrigues 11:49:06 2568 309
33719 Siomara De Jesus França Berwanger 11:49:06 2570 1041
34408 Vitor Pereira 11:57:09 11277 341
33390 Cristiane Vianna 11:57:13 2914 1173



sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

BR135+ - distância abissal entre teoria e prática.

Há pouco mais de quatro anos, quando criei este espaço, tinha a certeza que em certo momento, estaria narrando eventual insucesso, uma vez que, nem sempre as coisas saem dentro da programação.

O primeiro DNF a gente nunca esquece!!!

Então, eis que este dia chegou e por coincidência ou destino, ocorreu justamente em uma prova que venho sonhando a considerável tempo - BR 135+, no resumo da ópera: lá pelo km 105 da prova, a coluna do Quelônio do Cerrado ficou travada e as dores me fizeram "abortar a missão".

Vejamos!!!
Pico do Gavião - Km 37
No ano passado, após correr em quarteto a 1ª edição da BR 135+, eu e outros amigos da Equipe Bsb Parque, retornamos à Brasília com sentimentos, digamos, contraditórios; evidentemente, em primeiro plano vinham a alegria e satisfação pela conclusão de nossas metas individuais e coletivas; em outro sentido, haviam insatisfações quanto à organização e o desenrolar da ultramaratona das montanhas - BR135+.

A princípio, era uma atmosfera difusa, sem brilho, pois o evento de 2015, não ocorreu como desejado, principalmente, quando confrontado ou comparado com as outras 10 edições da então BR135 - 217 km.

O tempo é o senhor da razão...

No imaginário popular, dizem: "o tempo é o senhor da razão" e assim, o tempo foi passando, as eventuais feridas começaram a cicatrizar e as magoas com a prova de 2015 ficaram ao longo do caminho, paulatinamente.
Arte: H2 Comunicação Visual - Guaíra
Neste cenário, nasceu o projeto da "longa caminhada", desenhado pelo Samuel Toledo e encampado por 3 amigos: Eduardo Rodrigues, Wilson Bomfim e Dionísio Silvestre.

Recordo-me que a ideia surgiu assim que retornamos da 90ª Comrades Marathon. Na tese sustentada pelo amigo, havia a possibilidade de se concluir os 256 Km da BR 135+ (equivalente a 6 maratonas) apenas caminhando, todavia, otimizando estrategicamente as paradas para alimentação, hidratação e descanso.

Distância abissal entre teoria e prática...

A rigor, não correríamos durante a prova e ainda assim, seria possível cumprir o tempo limite estabelecido pelos organizadores, no caso 62,5 horas, daí, entre a teoria e a prática, havia uma distância abissal.